Feminismos futuros
Por muito tempo, falar em feminismo na universidade significava enfrentar o passado e interpretar o presente. Era um trabalho necessário e ainda é. Mas algo começou a mudar silenciosamente nas pós-graduações brasileiras e internacionais. O feminismo deixou de ser apenas um campo de denúncia e interpretação para se tornar também um campo de projeção. Hoje, em diferentes centros universitários, fala-se cada vez mais em feminismos futuros.
Não se trata de futurologia, mas de método de antecipação e reconhecimento.
Essa mudança aparece com nitidez quando observamos como programas de pós-graduação passaram a tratar o feminismo (ampliado e inclusivo) como ferramenta de imaginação institucional. Em vez de apenas mapear desigualdades, esses espaços perguntam: que universidade pode existir depois das políticas afirmativas? Que ciência pode existir depois da colonialidade explicitada? Que tecnologia pode existir depois da neutralidade fictícia dos algoritmos? Que pedagogia pode existir depois da escuta dos corpos historicamente empurrados para fora da cena científica? Não à toa, até o ChatGPT da vovó já informa que “aquela posição” não é neutra, seja ela qual for.
No Brasil, essa discussão ganhou um contexto particularmente interessante nos últimos meses. A segunda edição do Prêmio Mulheres e Ciência, organizada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico em parceria com o Ministério da Ciência,........
