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Carnaval, Disputa e a o direito à alegria em 2026

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02.02.2026

O Carnaval carioca de 2026 ultrapassou os desfiles, blocos e fantasias. Ele é, mais do que nunca, um campo de disputa simbólica, econômica e política sobre quem pode ocupar a cidade, produzir cultura e viver a festa em sua plenitude. Além de ser o maior espetáculo da terra! 

Se durante décadas os ensaios eram vistos apenas como momentos técnicos para o show, hoje eles se tornaram verdadeiros epicentros de negociação cultural. É ali que se tensionam pertencimento e exclusão, tradição e mercado, afeto e mercadoria.

A recente transição de grandes blocos para estruturas cada vez mais “grifadas”, como no caso da falta imensa que sentimos de Preta Gil e a entrada de Ivete Sangalo, simboliza esse movimento. Não se trata de negar a importância econômica e turística dessas engrenagens, mas de reconhecer o deslocamento simbólico que produzem: o Carnaval vai, aos poucos, deixando de ser rito de vizinhança para se tornar produto de alta escala.

Nesse processo, o afeto coletivo e a militância histórica pela diversidade cedem espaço à lógica da eficiência, do patrocínio e da visibilidade algorítmica.

Que saudade........

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