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BBB26, Babu, Renault e o preço da visibilidade

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04.03.2026

Quando Babu Santana entrou no Big Brother Brasil pela primeira vez, em 2020, o país ainda acreditava que reality show era apenas entretenimento. Estávamos imbuídos de drama e verdade, sobretudo atravessados pela pandemia que se instaurava. O que se viu ali foi outra coisa. Um homem negro, periférico, sobrevivendo a dez paredões, atravessando conflitos domésticos e debates públicos como quem sabe que cada palavra carrega uma história maior do que o próprio jogo. Babu Santana se tornou a imagem que as redes evitaram ao longo da história, o "PPP do BBB", preto, periférico e pobre, que agora sobe de "Big Brother" para "big dad". Aqui já podemos entender o cerco que tira alguém de uma marca e o lança ao ponto extremo oposto. Mas, vamos entender melhor…

No Big Brother Brasil 20, Babu tornou-se símbolo de resistência. As suas falas sobre feminismo, quando, por exemplo, afirmou que homem não é feminista, mas pode ser pró-feminismo e deve primeiro escutar, foram lidas como gesto pedagógico. Na célebre discussão sobre arroz e feijão, quando defendeu o uso coletivo da cozinha como metáfora de convivência, parecia traduzir as complexidades éticas em uma ética comunitária. Ao mencionar que o filho saiu para a escola apenas com pão e manteiga, o público enxergou sua declaração não como uma estratégia, mas como um testemunho que a branquitude ignorava.

Ele foi apresentado como o paizão, o resiliente, o corpo que suportava as chamadas tretas televisivas com uma verdade quase pedagógica. Saiu do BBB no 11º paredão e passou a ser disputado por diversas produções impulsionadas pela TV Globo. Atuou em novela, fez cinema, produziu música e estrelou campanhas publicitárias que o consolidaram como "um querido" do grande público. Na vida real, Babu tinha 16 anos de TV Globo e já morava na Barra da Tijuca e o BBB vendeu o que já estava em andamento.

Mas, como lembra Michel Alcoforado, um homem preto no hype raramente é simplesmente um "sujeito do meio" sendo celebrado. Ele tende a ser moldado, suavizado, embranquecido simbolicamente para parecer assimilável, para caber no imaginário dominante. Quase aceitamos que ele seja um pedaço de todos........

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