menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Bad Bunny, uma das vozes culturais mais importantes do nosso tempo

20 123
22.02.2026

Conheci a música de Bad Bunny em 2024, apresentada por um professor queer mexicano em Pittsburgh, durante meu doutorado sanduíche. Além de ser uma descoberta musical, foi um deslocamento de consciência. Percebi, com certo constrangimento, o quanto a grandeza latino-americana chega ao Brasil mediada pelos filtros culturais dos Estados Unidos. Há um continente pulsando em língua própria, e muitas vezes não o escutamos.

Benito Antonio Martínez Ocasio, o homem por trás do nome artístico, não ocupa o centro da cultura pop por acaso. Ao protagonizar o Halftime Show do Super Bowl, o espetáculo televisivo mais assistido dos Estados Unidos, não suavizou sua origem nem cedeu à expectativa de tradução cultural. Cantou em espanhol e transformou o palco em território simbólico porto-riquenho e latino-americano. Emergindo do entretenimento a uma afirmação identitária em escala global — um exemplo foram os vídeos de canadenses falando o nome de suas cidades com sotaque latino que gritavam nas redes sociais.

Diante de milhões, mostrou que não é preciso traduzir-se para caber. Esse gesto, aparentemente simples, deslocou a lógica histórica segundo a qual o sucesso internacional exige diluição cultural e fragmentação do desejo inicial.

A imagem final da apresentação condensou essa postura. Ao evocar a ideia de América de forma ampliada, com bandeiras e símbolos que extrapolam a noção restrita de Estados Unidos, a performance tensionou discursos exclusivistas e........

© Brasil 247