Backlash e o silêncio das minorias
Em ano eleitoral, parte da esquerda masculina volta a pedir moderação justamente às vozes que tornaram possível o avanço democrático recente, mulheres, pessoas LGBTI e pessoas com deficiência, como se ampliar direitos fosse risco e não fundamento da própria democracia.
Quando nos aproximamos de períodos eleitorais, costuma aparecer um comportamento recorrente em setores progressistas masculinos que, mesmo defendendo agendas democráticas amplas, passam a solicitar silêncio estratégico de mulheres, pessoas LGBTI e pessoas com deficiência. Esse movimento não nasce necessariamente de hostilidade explícita. Ele nasce de uma leitura pragmática do campo político. Ainda assim, produz efeitos de backlash. Estudo o fenômeno desde 2015 em diálogo com a jornalista Susan Faludi que descreveu no livro “Backlash: The Undeclared War Against American Women” e diz que o backlash não acontece apenas entre direita e esquerda. Ele também pode surgir dentro de alianças progressistas quando determinados grupos passam a disputar centralidade narrativa.
Em contexto eleitoral isso funciona assim:
Primeiro aparece o argumento da prioridade........
