A morte não aceita escusas
Em O Príncipe, Maquiavel adverte contra os perigos que implicam a existência de inimigos. Mesmo no ostracismo, eles possuem artimanhas que, quando menos se espera, voltam para ameaçar o dirigente. Não se pode ter complacência com eles. É preciso eliminá-los. Foram necessários anos de experiência com o sistema democrático para que aprendêssemos a transformá-los em adversários e entendêssemos que a transferência de poder, de tempos em tempos, se revelaria saudável. Já a morte se mostra diferente. Natural, a pós-modernidade a evita, não sem certo tremor na espinha, quando se trata de parentes e pessoas queridas. Coloca-a à parte, em seus próprios territórios, e se esforça por esquecê-la, a não ser na memória, quando fica às vezes por bastante tempo, retornando à mente em momentos inesperados.
Provocada, muda de figura. Lateja, incomoda, reclama, protesta. Insiste........
