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A estreia de Douglas Ruas, crise política no Rio de Janeiro e a força gonçalense: nova hegemonia de uma família?

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28.04.2026

Com a renúncia de Cláudio Castro (PL) ao governo do estado, o Rio de Janeiro passa por dias de grande indefinição, e a população fluminense testemunha a inelegibilidade de mais um chefe do Executivo, a poucos meses das eleições ordinárias de outubro. A crise instaurada não é exatamente uma novidade, pois desde 2016, foram cinco detidos, em uma lista de sete ex-governadores com algum tipo de ação penal. Trata-se de um cenário sem precedentes históricos. Este recente vácuo de poder levou à ascensão conturbada do novato deputado estadual Douglas Ruas, também do PL. A força política do agora midiático Ruas se origina na consolidação da sua família na cidade de São Gonçalo, o segundo maior colégio eleitoral dentre os 92 municípios do RJ. O Poder Judiciário acabou enredado na trama e vem ditando os rumos do estado, situação que pode se manter até o primeiro dia de 2027, quando assumirá o novo governador eleito.

Características da crise e os protagonistas:

A primeira dimensão a ser analisada é a da crise política, que é profunda a ponto de o governador interino hoje ser o presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), o quarto na linha sucessória do Poder estadual. Trata-se do desembargador Ricardo Couto, que assumiu um mandato-tampão, ainda sem perspectiva de saída. Está totalmente imprevisível até quando Couto seguirá no cargo e se haverá eleição antes de outubro.

A conjuntura conturbada dragou o Poder Judiciário para a cena política com a saída de Cláudio Castro. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atuou no impedimento do ex-governador, assim como o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o TJ-RJ. Cada um desses órgãos vem tendo um papel específico na crise generalizada. Falarei disso mais adiante, à medida que contextualizo os envolvidos no imbróglio.

Sem dúvidas, o pivô da crise é o ex-governador Cláudio Castro, que renunciou em 23 de março, numa tentativa de evitar a perda de seus direitos políticos e a cassação do mandato. No dia seguinte, porém, o TSE julgou o caso, condenando-o por abuso de poder político e econômico, além de irregularidades em gastos de campanha e na conduta junto a agentes públicos no pleito de 2022, em um episódio conhecido como Caso Ceperj. Agora, Castro está inelegível por oito anos.

Já o vice-governador Thiago Pampolha (MDB) deixou o cargo em maio de 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Castro e ele estavam rompidos e havia uma tentativa estratégica de dar visibilidade ao ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), que viria a se candidatar a governador, em 2026, como sucessor de Castro.

Por sua vez, o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, se encontra preso, pois foi condenado e........

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