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Natureza do crescimento recente do Brasil

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O Brasil voltou a crescer, mas de forma contida e ainda insuficiente diante do atraso econômico e social acumulado. Após um período de estagnação, deterioração institucional e aprofundamento das vulnerabilidades sociais, o terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (Lula 03) conseguiu interromper a trajetória de declínio e recolocar a economia em movimento. Trata-se menos de um ciclo robusto de expansão e mais de uma recuperação cautelosa, marcada por limites estruturais persistentes. O desemprego caiu, a pobreza extrema foi reduzida e o investimento público voltou a desempenhar algum papel, ainda que em escala aquém do necessário para uma transformação de maior dimensão.

Esses resultados são reais e politicamente relevantes. Mas, exatamente por isso, a pergunta que se impõe não é conjuntural nem personalizável. Ela é histórica e estrutural: crescer para quem, em um país marcado por uma das mais altas concentrações de renda e riqueza do mundo?

A desigualdade brasileira como herança estrutural - A desigualdade no Brasil não é produto de um governo específico nem de um ciclo econômico isolado. Ela é resultado de uma formação histórica marcada pela escravidão, pela concentração fundiária, por um Estado patrimonialista, por um sistema tributário regressivo e por uma financeirização persistente. Trata-se de uma desigualdade que se reproduz mesmo em períodos de crescimento justamente porque está inscrita na forma como o excedente econômico é apropriado.

Ao longo da história recente, o país conheceu fases de expansão econômica que conviveram com manutenção — ou até aprofundamento — da concentração de renda e riqueza. O crescimento, por si só, nunca foi suficiente para alterar esse padrão. Sem políticas distributivas de envergadura e sem transformação da estrutura produtiva, a expansão tende a reforçar hierarquias existentes.

É nesse registro que deve ser analisado o ciclo atual.

Crescimento recente e seus efeitos sociais - O atual governo conseguiu frear um processo de deterioração econômica e social do período que precedeu o Lula 03, a desastrosa experiência do governo do aloprado e perigoso Jair Messias Bolsonaro e seu clã, que afrontava o Estado de Direito, suas Instituições Democráticas e as conquistas sociais.

No seu desgoverno, entre 2019 e 2022, a economia brasileira apresentou crescimento médio próximo de zero, incapaz de recuperar o atraso acumulado desde a recessão de 2015–2016.

Assim, a retomada moderada da atividade, o reaquecimento do mercado de trabalho e a reconstrução de políticas sociais produziram efeitos imediatos sobre as camadas mais vulneráveis da população. A........

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