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A Dialética da Participação Social

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11.04.2026

Em novembro de 2022, com o governo Bolsonaro ainda em seus momentos finais, Brasília testemunhou um fenômeno que desafiava a lógica da conjuntura: a realização da 6ª Conferência Nacional de Saúde Indígena (CNSI). Adiada sucessivamente, boicotada orçamentariamente e realizada sob a gestão de um coronel nomeado para a Secretaria Especial de Saúde Indígena, a conferência reuniu mais de 1.700 pessoas, representantes de mais de 180 etnias. O que parecia uma anomalia burocrática era, na verdade, a manifestação de uma contradição: enquanto a estrutura jurídico-política do Estado operava para desmantelar o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS), os movimentos sociais, a partir do Conselho Nacional de Saúde, consolidaram sua temporalidade a partir de uma correlação de forças na qual a resistência do movimento indígena forçou o governo a cumprir seu próprio rito.

Os dados compilados pelo Boletim de Análise Político-Institucional (BAPI) n. 39 do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) sobre as conferências nacionais do governo Lula 3 (especificamente o período 2023-2024) oferecem um amplo repertório para quem busca escapar das análises liberais sobre controle social e adentrar na dinâmica da dialética da participação social. Sob a perspectiva do materialismo histórico e da teoria de István Mészáros em Para Além do Capital, o Estado configura-se como uma estrutura de comando político complementar ao capital que se caracteriza como um modo de produção econômica e um sistema de controle totalizador que subordina todas as dimensões da vida humana à lógica da acumulação. Logo, as conferências nacionais são mais do que instrumentos de gestão ou “escuta ativa” de um governo benevolente: são importantes arenas da luta de classes por outros meios... O BAPI/IPEA  revela que........

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