Não tememos a noite sombria
(Publicado no site A Terra é Redonda)
São muitos atualmente que perderam a esperança de que, no quadro atual sinistro, tenhamos ainda algum futuro. Há demasiada maldade, genocídio a céu aberto e vergonhosamente feito por aqueles que o praticam, Israel e os Estados Unidos da América, ainda escandalosamente apoiados por alguns países europeus, nomeadamente pela Alemanha, esquecida do holocausto nazista.
Assistimos, estarrecidos, a uma grande nação, aquela que dispõe de mais meios de destruição em massa e até de aniquilação da vida sobre a Terra, a Rússia, arrasar uma nação vizinha com grandes tradições culturais e os famosos e sábios contos rabínicos, a Ucrânia. Terrível está sendo a guerra dos EUA e Israel contra o Irã, destruindo uma das civilizações mais antigas, com uma ferocidade que não escolhe seus alvos, tudo é atacado, incluindo escolas de meninas.
Acresce ainda a absurda acumulação de fortunas em pouquíssimas mãos, pois, oito pessoas, possuem individualmente, a riqueza equivalente ao que possuem 4,7 bilhões de pessoas. Nestes não se nota nenhuma sensibilidade humana face a seus semelhantes, tratando-os como zeros econômicos, descartáveis e considerados sub-humanos: os milhões que vivem nas periferias das grandes cidades do Norte Global (só nos EUA vivem 30 milhões de pobres) e enchem, aos milhões, as metrópoles do Sul Global.
Abstenho-me de referir à grave ameaça da Sobrecarga da Terra, com severos limites da produção de bens e serviços que sustentam a vida (precisamos hoje já de 1,7 Terras). Nem mesmo do crescente aquecimento global do planeta Terra que se até 2030-2035 não for detido no máximo de crescimento de 1,5ºC, com referência à era industrial (1850-1900) causará uma inexorável dizimação de vidas na natureza e na humanidade.
Como ainda ter esperança num drama destas proporções? Entendemos as preocupações de analistas do curso do mundo que dizem: não é impossível que tenha chegado a nossa vez de desaparecer do processo da evolução, como centenas e centenas de espécies já desapareceram, depois de milhões de anos sobre a Terra.
Por isso sou pessimista porque a realidade é péssima. No entanto, me declaro um pessimista esperançoso. Esperançoso porque se somos Terra que sente, pensa, ama e venera, temos a resiliência que a Terra mostrou nas 15 dizimações de vidas que sofreu ao longo de sua história de 4,5 bilhões de anos. A vida nunca sucumbiu. Depois de cada dizimação, atestam vários historiadores da vida........
