Para Zema, Deus morreu e no Estado de Natureza (digital) vale tudo
Publicado originalmente no Consultor Jurídico
Há uma fúria niilista no ar. Há um manuseio de fantoches. Vídeos fantoches. Vivemos no cenário de A Praça é Nossa! Vamos, então, falar de fantoches. Poderia falar de Nietzsche. Mas prefiro Dostoiévski. O personagem Ivan Karamazov cunhou a célebre frase: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. No dialeto do “estado de natureza ofensivo” que tomou conta de parte da política brasileira, a frase foi redefinida para: “Se a liturgia institucional está morta, então o governador pode fazer teatrinho infantil para ofender a Suprema Corte“.
Eis o busílis. Vamos colocar os adultos na discussão. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema decidiu atacar o ministro Gilmar Mendes usando exatamente fantoches. Veja-se: não estamos falando de uma tese jurídica, de um embate de jurisdição ou de um conflito federativo. Estamos falando do rebaixamento da política ao nível da barbárie. É a vitória do Senso Comum Teórico dos Marqueteiros sobre o Estado democrático de Direito. Tudo em nome da lacração.
Pergunto: mergulhamos em um Estado de Natureza ofensivo? Thomas Hobbes nos alertou sobre a guerra de todos contra todos. Mas o Leviatã brasileiro parece ter sido substituído por um ventríloquo de internet com voz feita por IA. Hackearam o contrato social. A estupidez........
