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Cuba: a Gaza do hemisfério que Trump chama de seu

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16.08.2026

Uma pequena ilha do Caribe atravessa uma das mais graves crises de sua história recente. Faltam combustível, medicamentos, alimentos. Falta tudo. Apagões chegam a vinte horas diárias. Hospitais lutam para manter equipamentos funcionando. A falta de energia compromete o bombeamento de água, o transporte, a conservação dos alimentos e massacra a rotina de 11 milhões de pessoas. 

No início deste mês, a ONU advertiu para o risco de Cuba transformar-se numa “Gaza silenciosa”, caso continue o estrangulamento das condições materiais de sobrevivência da população. É diante desse quadro que surge uma pergunta desconcertante: Por que uma pequena ilha empobrecida do Caribe continua sendo tratada como ameaça pela maior potência militar do planeta? 

Os Estados Unidos dispõem do mais poderoso aparato militar e de inteligência do mundo. Cuba luta para manter as luzes acesas. Ainda assim, há mais de seis décadas Washington mantém contra a ilha um cerco econômico que atravessou administrações republicanas e democratas.  Agora, Donald Trump decidiu apertar ainda mais o torniquete. 

O petróleo impedido de chegar 

A crise adquiriu outra dimensão depois da intervenção norte-americana na Venezuela, em janeiro, que sequestrou e transportou o presidente Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, para Nova York, onde continuam presos há sete meses. Durante anos, a Venezuela foi um dos principais fornecedores de petróleo de Cuba. 

Uma das primeiras consequências da mudança ocorrida em Caracas, após a invasão dos Estados Unidos, foi a interrupção desse fluxo para a ilha, atingindo um país que já enfrentava uma profunda crise energética.  

Sem petróleo suficiente, não falta apenas gasolina. Falta eletricidade. E, quando falta eletricidade, não se apagam apenas as lâmpadas. Param bombas de água, sistemas de refrigeração, meios de transporte, equipamentos hospitalares. É o caos. 

A revista médica britânica The BMJ encontrou hospitais submetidos a apagões de até vinte horas e profissionais tentando preservar serviços vitais em meio à falta simultânea de energia, combustível, medicamentos e insumos.  

A Associated Press encontrou famílias que passaram a organizar a vida em torno dos raros momentos em que a eletricidade retorna. Quando a luz chega, começa uma corrida. Cozinhar. Lavar roupa. Bombear água. Carregar o celular. Tentar conservar os alimentos. Dormir pode........

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