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Reflexões homeopáticas sobre a gravidade que perpassa a República

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09.09.2026

Zé Dirceu vem defendendo publicamente a necessidade de reformas nos três Poderes da República e chega a falar em uma espécie de autorreforma institucional.

No entanto, mudanças dessa dimensão dificilmente poderiam ser realizadas de forma profunda sem a convocação de uma nova Assembleia Constituinte, caso contrário, seria uma reforma das elites, sem participação da sociedade civil.

Só o próximo Congresso Nacional poderia realizar um plebiscito para que o poder popular emane sua vontade para a convocação de uma Constituinte. Contudo, não há dúvida de que o país necessita discutir reformas estruturais em seu ordenamento jurídico e político.

Mas a conjuntura atual, marcada por uma polarização extremada e pelo fortalecimento de forças antidemocráticas, não parece ser um ambiente acolhedor para a construção de um novo Poder Constituinte.

O Brasil precisa avançar estruturalmente, mas também precisa criar diques de proteção à sanha da extrema-direita do bolsonarismo. Uma eventual reforma institucional não pode ignorar essa realidade.

Antes de abrir um processo constituinte, é necessário refletir sobre quais forças políticas estarão em condições de conduzi-lo e quais garantias existirão para que um novo ordenamento represente avanço democrático, e não retrocesso.

O bolsonarismo não se limitou à disputa eleitoral ou à construção de uma corrente política. Ao longo dos últimos anos, consolidou uma cultura de cizânia que passou a contaminar as instituições brasileiras, estimulando conflitos permanentes, desconfianças e antagonismos.

O problema se torna ainda mais grave quando a disputa política deixa de ocorrer apenas entre projetos de país e passa a produzir fissuras dentro das próprias estruturas do Estado, colocando instituições umas contra as outras e transformando divergências em crises.

Por isso, é mister um esforço........

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