Colonialismo 2.0: dos grilhões à fibra ótica
Em novembro de 2025, a Casa Branca publicou sua nova Estratégia de Segurança Nacional, um documento que não deixa margem para ambiguidades: a diplomacia do século XX morreu. Ali, Trump avisa ao mundo, sem rodeios, que a única coisa que importa é o interesse dos Estados Unidos e, mais precisamente, das empresas norte-americanas. O texto repudia oito décadas de compromissos multilaterais, declara o Hemisfério Ocidental como prioridade estratégica e anuncia o "Corolário Trump à Doutrina Monroe" – uma mensagem cristalina de que a América Latina voltou a ser considerada quintal dos EUA. Mas o que realmente deveria nos alarmar não está escrito em suas páginas: a parafernália militar que exibem hoje serve apenas para esconder o verdadeiro instrumento de dominação imperial do século XXI.
Os eventos dos dias 3 e 4 de janeiro de 2026 na Venezuela expõem com clareza brutal essa nova arquitetura do poder. Mais de 150 aeronaves norte-americanas participaram da chamada "Operação Resolução Absoluta", que resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores. As imagens foram cuidadosamente construídas para impressionar: caças furtivos F-35 e F-22 rasgando os céus venezuelanos, bombardeiros estratégicos B-52 e B-1B lançando mísseis, helicópteros Chinook e Black Hawk transportando comandos da elite da Força Delta, explosões iluminando a noite de Caracas. Um espetáculo pirotécnico digno de Hollywood, calculado para aterrorizar governos de todo o Sul Global.
Mas essa operação não foi vencida pelos mísseis, helicópteros ou pela quantidade de metal que os EUA conseguem jogar sobre um país. A verdadeira batalha – a que realmente importou – foi travada e vencida nas camadas invisíveis do espectro eletromagnético e nos fluxos de dados que atravessam nosso continente a cada milissegundo.
Antes dos primeiros disparos, aviões de guerra eletrônica EA-18G Growler já haviam "apagado" Caracas. Sistemas de defesa antiaérea S-300 russos, que no papel deveriam proteger a capital venezuelana, permaneceram inertes. Os mísseis portáteis Igla-S – dos quais a Venezuela alegava possuir milhares – nunca foram disparados. Não porque faltasse vontade ou........
