Desexilio
A palavra foi criada pelo genial escritor uruguaio Mario Benedetti, no seu livro “Andaimes”. Benedetti, que subia ao ônibus que nos levaria, todas as manhas, do bairro de Alamar, perto do centro de Havana, ao Parque Central, para daí tomar outro ônibus para o Vedado, onde ele ia trabalhar na Casa das Américas, eu no trabalho do Mir chileno.
Ele foi o poeta do nosso exílio. Junto com Eduardo Galeano, dois gênios que o Uruguai nos deu ao mesmo tempo. Como pode um país tão pequeno produzir dois gênios simultaneamente? Mas já tinham ganho três mundiais de futebol, um contra nós, de virada no Maracanã! Um País capaz disso tudo e de muito mais, do que não seria capaz?
Benedetti ele usa como prólogo uma citação de outro escritor genial, este português: Fernando Pessoa:
“O lugar a que se volta é sempre outro. A gare a que se volta é sempre outra. Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.”
Reencontrando o meu exemplar, reproduzo apenas o que eu sublinhei. Acho que dá ideia do que seja o livro e do que seja o desexílio, que tantos de nós vivemos e ainda vivemos.
“Este livro trata dos sucessivos encontros e desencontros de um desexiliado.”
“Não pretende ser uma interpretação psicológica, sociológica, menos ainda antropológica, de uma repatriação mais ou menos........
