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Das catedrais do povo às arenas do capital

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28.04.2026

A história do futebol e das Copas do Mundo também pode ser contada pela história dos estádios. Não como simples evolução arquitetônica, mas como parte do processo que transformou um jogo britânico em cultura de massas e, mais recentemente, em grande negócio global. Essa trajetória pode ser lida em três grandes fases.

A primeira nasce com a própria regulamentação do futebol, na Inglaterra e nos demais países britânicos, em meio à Revolução Industrial. Surgem ali os primeiros grounds, como Sandygate e Bramall Lane, ligados às cidades operárias, às ferrovias e ao tempo livre das classes trabalhadoras. Antes de serem negócios, os estádios foram territórios populares.

Nessa fase, o futebol consolidou-se como forma de lazer das massas urbanas e os estádios tornaram-se espaços de encontro, pertencimento e identidade coletiva. Não eram monumentos, mas extensões da vida popular. Como sugere Eric Hobsbawm em A invenção das tradições, o esporte moderno ajudou a produzir novos rituais públicos, e os estádios tornaram-se uma de suas arquiteturas fundamentais.

A segunda grande transformação veio entre os anos 1930 e o pós-guerra, quando a ascensão do Estado nacional e dos grandes projetos públicos na Europa e na América deu origem aos estádios monumentais. Não eram apenas arenas esportivas, mas símbolos de poder, modernidade e........

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