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Vida de treinador...

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11.01.2026

Ainda a época 2025/26 vai a meio e já é um espelho fiel desta realidade. O treinador tornou-se a face mais visível de tudo: do sucesso, do insucesso e, muitas vezes, de problemas que não criou. O cargo de treinador é, hoje, um dos mais frágeis do futebol moderno. Vive-se do aqui e agora, do último jogo, da classificação atualizada, da sensação do momento ou da perceção momentânea. O tempo, esse, deixou de ser critério. Passou a ser um luxo.

Os números são claros. Com muitos campeonatos ainda longe do fim, já se registaram 110 mudanças de treinador nas principais ligas europeias, num estudo que analisou 18 dos 20 campeonatos de topo, excluindo Suécia e Noruega por diferenças de calendário. Não se trata de casos isolados, mas de um padrão estrutural.

A SuperLiga da Turquia, com 17 trocas de treinador, continua a liderar o ranking da instabilidade, seguida pela Grécia e pelo Chipre, com 10 mudanças cada, e pela Bélgica, com 9. Mesmo entre as cinco grandes ligas europeias, o cenário é revelador: a Premier League assume agora a liderança, com seis demissões, impulsionadas pelas saídas de Ruben Amorim do Manchester United e de Enzo Maresca do Chelsea. Curiosamente, ambos tinham recebido recentemente o prémio de melhor treinador do mês na competição — Amorim em novembro e Maresca em dezembro — e começaram 2026 já a perder o lugar, numa liga que se apresenta como exemplo de profissionalismo e estabilidade. Nem mesmo o campeonato mais rico do mundo escapa à lógica da urgência e da pressão imediata por resultados.

Este cenário não é novo, mas é cada vez mais extremo. Treinadores como Pep Guardiola, Carlo Ancelotti ou José Mourinho têm alertado, ao longo dos anos, para o mesmo problema: o treinador passou a ser o primeiro, e quase sempre o........

© A Bola