Isto não é só um desporto
A FIFA reconhece o Cuju, jogado na China no século III a.C., como o mais antigo antecessor do futebol. Este jogo, jogado com uma bola de couro cheia com penas e cabelos, fazia inicialmente parte do treino dos soldados imperiais, mas rapidamente ganhou fama e passou a ser um dos entretenimentos favoritos da nobreza. A sua principal regra era que a bola deveria ser apenas jogada com os pés e, quando jogado em equipa, era absolutamente proibida a existência de contacto físico entre jogadores. Ganhava quem conseguisse fazer a bola passar mais vezes por um buraco feito no meio de uma rede. Golos? Não. Esses, como os conhecemos, chegariam muitos séculos depois.
O nosso futebol, ou pelo menos o futebol semelhante ao que hoje jogamos, nasceu na Inglaterra do século XIX, numa reunião de vários clubes, onde se tentaram padronizar os diversos jogos com bola existentes — pelas descrições conhecidas é possível perceber que, antes desta data, cada clube jogava como queria e tinha as suas próprias regras, o que tornava impossível que se defrontassem entre si. Desta reunião saiu um conjunto de normas que deveriam ser cumpridas por todos, sendo a principal a proibição de jogar a bola com as mãos — e sim, foi exatamente aqui que futebol e rugby se diferenciaram.
Com a organização dos primeiros torneios oficiais, a modalidade começou a ganhar fama e, à boleia do império britânico, espalhou-se um pouco por todo o mundo. A Portugal o jogo chegou trazido por jovens que tinham estudado em Inglaterra e por alguns trabalhadores ingleses e foi mais ou menos como fogo na palha: a popularidade foi de tal ordem que se tornou no nosso desporto rei.
Ao longo da nossa história houve quem se soubesse aproveitar bem do amor dos portugueses ao futebol. Todos conhecemos bem o slogan 'fado, futebol e Fátima', verdade? O Estado Novo foi, deixem-me dizer, exímio em transformar o futebol numa ferramenta de propaganda política, de controlo social e de afirmação nacionalista. Promovido como........
