Estamos adormecidos ou estamos mudados
Luís Montenegro, primeiro-ministro, pediu pareceres jurídicos aos serviços jurídicos do Estado para contestar a decisão da Entidade da Transparência de tornar pública a lista de clientes da Spinumviva.
A notícia é do Público, de 14 de março. Surgia no interior do jornal, sem qualquer destaque. Procurei mais informação noutros jornais e televisões e até desenvolvimentos no próprio Público. Até ao dia em que escrevo, salvo distração minha, rigorosamente nada.
Li a notícia várias vezes e falei com ainda mais pessoas para perceber se haveria algum ângulo que me dissesse que aquilo podia não ser exatamente o que parecia. Nem as releituras ajudaram, nem juristas, jornalistas e outras pessoas que respeito e ouço com atenção me contrariaram.
A história é, afinal, simples: Luís Montenegro utilizou os serviços do Estado para seu próprio proveito. Numa questão que diz respeito à sua atividade profissional, à sua esfera privada, relacionada com uma empresa que era sua até há pouquíssimo tempo, o primeiro-ministro recorreu a juristas pagos pelo Estado para sustentar a sua posição.
Parecendo-me, e a muita gente, tratar-se de um abuso evidente − incluindo à esmagadora maioria dos especialistas contactados pelo Público −, é naturalmente possível que existam outras opiniões. O verdadeiramente extraordinário é que esta situação não tenha merecido sequer um lampejo de debate público.
Não li uma crónica, um editorial. Nenhum daqueles programas de opinião........
