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Da clareza. Opinião de Pedro Marques Lopes

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03.09.2026

“Como dizia um russo acerca do modelo estalinista de reescrever a História: nunca se sabe o que o passado nos reserva.” Jaime Semprun

Jurei a mim mesmo que ia evitar acompanhar a política nacional durante as férias. Está longe de ser a única coisa a que dedico o meu tempo, mas é parte da minha vida, tanto a nível profissional como pessoal.

Já se sabe que este tipo de proclamações tem sempre um alcance limitado. Queiramos ou não, as notícias chegam até nós – e o bombardeamento das redes sociais, com as suas inúmeras formas de atravessar as barreiras que lhes impomos, só torna isso mais certo. Os nossos círculos de amigos formam-se por interesses comuns e as vidas profissionais aproximam-nos de outras pessoas; não foi o Instagram nem o X que inventaram o desassossego nas férias. E isso vale tanto para a política como para a nobre arte de fazer botões ou fio de pesca.

Seja como for, não dei a devida atenção a assuntos importantes. A recompra de parte da REN pareceu-me um absurdo, mas talvez seja só por não ter estado muito atento. Da entrega do relatório sobre a Segurança Social, só registei que deve ter servido para forrar gavetas, já que o Governo se apressou a dizer que não lhe dava importância alguma. E depois houve a extraordinária discussão sobre a segurança em Lisboa, que me fez passar parte de agosto a explicar a pessoas convencidas de que a cidade era uma espécie de Tijuana europeia que ainda se conseguia sair à rua sem ser num tanque de guerra – a maioria não acreditou em mim.

Entre livros, sol, chuva (apanhei muita) e confraternizações, fugi o que me foi possível a estes e a outros temas. Mas........

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