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A paz tornou-se exceção

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17.06.2026

As imagens da guerra na Ucrânia continuam a atravessar diariamente os ecrãs europeus. No Médio Oriente, sucessivas escaladas militares recordam a fragilidade de uma das regiões mais voláteis do planeta. No Indo-Pacífico, a rivalidade entre os Estados Unidos e a China redefine alianças, estratégias e prioridades económicas. 

À primeira vista, trata-se de crises distintas, separadas por geografias, interesses e protagonistas. Na realidade, todas apontam para a mesma transformação histórica. O mundo entrou numa nova fase das relações internacionais e essa mudança é mais profunda do que qualquer conflito isolado.

Durante mais de três décadas, o Ocidente viveu sob uma convicção que parecia confirmada pelos acontecimentos. A Guerra Fria terminara sem confronto direto entre as grandes potências, a globalização expandia-se a um ritmo sem precedentes, as economias tornavam-se cada vez mais interdependentes e a prosperidade parecia avançar lado a lado com a estabilidade. Persistiam conflitos, crises e ameaças, mas a direção da História parecia definida. A política de poder, que durante séculos moldou as relações internacionais, dava lugar a um mundo regulado por instituições, comércio e cooperação. Hoje, essa convicção está a desfazer-se.

Da Ucrânia ao Médio Oriente, das disputas no Indo-Pacífico à crescente rivalidade entre os Estados Unidos e a China, a atualidade internacional é frequentemente apresentada como uma sucessão de crises independentes. Essa leitura ajuda a compreender os acontecimentos, mas não explica a sua verdadeira relevância. O que estamos a testemunhar não é apenas uma acumulação de conflitos. Estamos a assistir ao fim de um período histórico excecional e ao regresso de uma realidade que muitos julgavam ultrapassada: a competição estratégica entre Estados voltou a ocupar o centro da política internacional.

Esta constatação obriga a uma inversão de perspetiva . Durante anos, o debate centrou-se na pergunta errada. A questão nunca foi saber se a globalização eliminaria a geopolítica. A questão era saber durante quanto tempo conseguiria mantê-la em segundo plano. 

Os acontecimentos dos últimos anos mostram que as rivalidades estratégicas entre Estados nunca deixaram de moldar o sistema internacional. A competição por influência, recursos, mercados e posições de poder continuou........

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