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Não desistam da floresta. Não desistam do interior

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09.07.2026

Nas férias grandes da escola, uma das tarefas lá de casa era ir apanhar pinhas. A nobre arte de acender a lareira começava sempre da mesma forma: duas pinhas bem secas, apanhadas no final de um tórrido agosto.

Percorríamos os pinhais com total liberdade. Foi nessas caminhadas que a minha mãe me ensinou o significado de um marco. Eram pedras colocadas nas extremidades dos terrenos para delimitar propriedades. Na aldeia, todos sabiam a quem pertencia cada parcela. Conheciam-se os limites da terra, mas também a história de cada família.

Hoje, muitos desses marcos desapareceram, engolidos pelo mato. E talvez essa seja a melhor metáfora para o estado da nossa floresta: perdeu-se não apenas a gestão da terra, perdeu-se a relação com ela.

Há dias ouvi João Miguel Tavares defender, no seu habitual espaço de comentário, que a sua tese passaria por “não deixar as árvores crescer depois de elas terem sido queimadas nalguns sítios do interior”.

Conheço suficientemente João Miguel Tavares para saber que não é um homem dado a simplificações fáceis. Temos visões políticas muito diferentes sobre vários temas, mas isso nunca me impediu de reconhecer a importância do debate de ideias. É precisamente por reconhecer essa seriedade que considero importante discutir esta tese.

Não sou especialista em incêndios nem em engenharia florestal. Sou apenas alguém que nasceu e cresceu no interior. E, por vezes, conhecer um território também é uma forma de especialização.

Quem nasce........

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