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O CR7 de Espinho e os dois operários em construção

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Façamos o exercício de acompanhar dois operários portugueses. Um trabalha na Autoeuropa, o outro trabalha numa fábrica de calçado do norte do País. Ambos são competentes, empenhados e estão motivados. E ambos fazem o mesmo turno de oito horas. Qual é o mais produtivo? A resposta imediata será: ambos são igualmente produtivos. No entanto, quantos pares de sapatos será necessário produzir para atingir o valor acrescentado de um automóvel? Postas as coisas desta maneira, a produtividade do operário da Autoeuropa, tendo em conta o valor produzido, é incomparavelmente maior.

É isto a “produtividade”. E a produtividade nada tem a ver com leis laborais. A ambos os operários analisados são aplicadas as mesmas leis laborais. Mas um país que só produza sapatos tem, necessariamente, uma taxa de produtividade muito inferior à de um país que só produza automóveis; que, por sua vez, na economia digital em que vivemos, terá uma taxa de produtividade inferior ao país que ofereça os necessários serviços tecnológicos que façam andar o resto. O operário que produz sapatos pode estar submetido a leis severas que o obriguem a trabalhar 12 horas, mais fins de semana, sem férias nem licenças parentais, e pode ser despedido de hoje para amanhã, sem justa causa nem indemnizações – mas o seu país vai ter sempre uma produtividade inferior à do operário que produz automóveis ou à do engenheiro que garante a sociedade digital, ainda que estes tenham semanas de quatro dias e férias pagas de 35 dias. Mais, os serviços deste operário especializado, ou deste engenheiro, de tão procurados, nem precisam de estar garantidos por leis restritivas em matéria de despedimentos – eles terão sempre quem lhes ofereça trabalho. O que não acontece no “país dos sapatos”. As funções muito produtivas........

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