Opinião | A hemodiálise não tira férias
O António tem 68 anos e faz diálise – um tratamento que o obriga a estar ligado a uma máquina durante quatro horas, três vezes por semana, para continuar vivo. Este verão, queria passar uma semana com os netos no Algarve. Ligou para as três clínicas que lá existem, mas nenhuma tinha vaga – não por falta de camas, mas por falta de pessoal. Não se resignou. Acabou por ir sozinho, de carro, fazer diálise em Espanha e a família ficava na praia sem ele.
Todos os anos chegam à APIR – Associação Portuguesa de Insuficientes Renais as mesmas histórias. Com o verão chega a angústia de saber que planear uns dias de férias será uma batalha. Costumávamos conhecer pelo nome cada doente que não conseguia marcar tratamento fora de casa. Agora são tantos que já lhes perdemos a conta, e muitos, cansados de tentar, já nem sequer nos........
