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A geração mais qualificada de sempre. E agora, Portugal?

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12.08.2026

Há uma frase que se repete sempre que se fala de juventude: “Os jovens são o futuro.” É uma frase bonita. Talvez demasiado bonita para uma geração que está cansada de esperar pelo futuro enquanto tenta, com dificuldade, construir o presente.

No Dia Internacional da Juventude, não basta celebrar os jovens. É preciso ouvi-los. E, sobretudo, é preciso olhar com seriedade para aquilo que significa ter vinte ou trinta anos em Portugal.

Somos frequentemente apresentados como a geração mais qualificada de sempre. Nunca tantos jovens portugueses chegaram ao ensino superior, aprenderam línguas, viajaram, fizeram Erasmus, mestrados, estágios e formações. Disseram-nos que estudar era o caminho. Que o esforço seria recompensado. Que uma boa formação nos permitiria construir uma vida melhor do que a das gerações anteriores.

Estudámos. Preparámo-nos. Fizemos aquilo que nos pediram.

Agora encontramos um país onde, para muitos jovens, ter um ou vários diplomas já não significa conseguir ter uma vida independente.

Entramos no mercado de trabalho e descobrimos salários que pouco combinam com o custo de vida. Procuramos uma casa e percebemos que uma renda pode consumir quase tudo aquilo que ganhamos. Fazemos contas antes de sair de casa dos nossos pais, contas antes de pensar em ter filhos, contas antes de aceitar um emprego noutra cidade. E há meses em que parece que estamos constantemente a fazer contas para descobrir se podemos simplesmente viver.

Não é falta de vontade de crescer.

É falta de condições para o fazer.

Talvez esta seja uma das maiores injustiças sentidas pela juventude portuguesa: somos uma geração altamente preparada para ser independente e, ao mesmo tempo, uma geração a quem a independência se tornou extraordinariamente difícil.

E........

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