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O futuro tecnológico já chegou, e ele está na China

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O veículo é estranho, assemelha-se a um ovo metálico espetado por "kuàizi" (os pauzinhos de comer dos chineses) com hélices em suas extremidades. O acesso é um tanto apertado —mas, uma vez dentro, sem piloto, tremulando e subindo sozinho com vista para todo lado, é como estar sentado numa cadeira voadora.

O EH216-S é um eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical) que mais do que transportar passageiros de um ponto a outro faz outra viagem —a que leva ao futuro.

Nas últimas semanas, o correspondente do UOL na China percorreu cidades onde sanduíches chegam por drones, carros estacionam sozinhos, robôs humanoides executam tarefas cotidianas e carros voadores enxameiam os céus, como no desenho "Os Jetsons".

A reportagem embarcou em dezembro no eVTOL da empresa EHang para um sobrevoo sobre o porto antigo da cidade de Guangzhou, no sul da China.

Na sala de espera, um vídeo apresentou as instruções, reforçadas na área de decolagem por dois técnicos, incluindo a óbvia recomendação de não abrir as portas durante o voo.

O veículo possui as licenças oficiais dos reguladores chineses e os técnicos informaram que os rotores funcionam de forma independente e que, mesmo na hipótese de falha de 7 deles (dos 16), o carro voador aterrissaria em segurança.

Antes de embarcar, o repórter foi colocado sobre uma balança para verificar se atendia ao limite de peso por passageiro definido pelo governo, 90 quilos (check!).

O aparelho não é pilotado pelo passageiro nem controlado remotamente do solo por um operador treinado, como uma versão em escala humana de um aeromodelo.

Nem George Jetson, o personagem pai da família futurista, ousou imaginar: o veículo é controlado por inteligência artificial, que estabelece rotas, organiza o tráfego aéreo, desenhando com seus algoritmos avenidas e cruzamentos imaginários no céu.

Trata-se do nível 4 de autonomia, em uma escala de 1 a 5.

Guangzhou, batizada de Cantão por navegadores portugueses que lá acostaram no século 16, integra um nó de cidades futuristas localizadas na geografia da Grande Área da Baía, considerada o epicentro tecnológico do planeta.

Nenhum outro lugar do mundo —nem mesmo o Vale do Silício, nos Estados Unidos, sede das big techs— registra anualmente tantas patentes de invenções futuristas.

Mas é Shenzhen, cidade com cerca de 17 milhões de habitantes, o coração tecnológico da Grande Área da Baía. Lá, a reportagem encontrou o investidor americano Taylor Ogan, CEO da Snow Bull Capital, referência sobre avanços tecnológicos e bastidores da economia de ponta da cidade.

Ogan contou que está em andamento na região........

© UOL