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O modelo laboral que tem medo do futuro

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wednesday

As discussões em torno do pacote laboral refletem problemas profundos e não conjunturais, com uma dimensão global e outra nacional que Portugal não pode continuar a adiar. O país tem de superar, de uma vez por todas, uma visão estatista e centralista da política, enfrentar os verdadeiros desafios do trabalho e libertar-se de um sindicalismo anacrónico que detém um poder político desproporcional à sua representatividade real, situada perto dos 7% dos trabalhadores no setor privado e não superior a 14% mesmo considerando o setor público, segundo dados da OCDE para 2020, valor que tem vindo a diminuir desde então.

O peso do Estado é um fator fundamental, e a velha dicotomia público-privado continua a contaminar o debate. Se o estatismo não é exclusivo da esquerda, é a visão de esquerda anacrónica que predomina em Portugal e que mais tem contribuído para um atraso competitivo. A experiência mostra que o intervencionismo excessivo não gera mais justiça social, mas sim estagnação. Os desafios do mundo do trabalho, intensificados pela globalização e por uma revolução tecnológica de escala inédita, exigem respostas práticas e urgentes. Persistimos, contudo, presos a uma narrativa simplista e tribal: a esquerda "defende os trabalhadores" e a direita "defende os patrões", como se a complexa realidade social se reduzisse a uma luta moral entre bons e maus. Conceitos como produtividade, exigência, competitividade e mérito, mas também reconhecimento, não têm de intimidar.

Vivemos, em grande parte, ainda sob uma caricatura ideológica: os trabalhadores são sempre virtuosos e vítimas, enquanto as empresas, o investimento e a competitividade são vistos com suspeição ou como formas de exploração. O patrão surge como explorador por natureza e o trabalhador como um "coitadinho"........

© SOL