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Universidade à Defesa

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16.03.2026

A defesa raramente entra no debate académico. Mas talvez seja um dos testes mais importantes à relevância das universidades no século XXI. A União Europeia está num ponto de viragem decisivo e precisa acelerar a sua busca por maior independência estratégica, incluindo capacidades de defesa próprias e “alavancas de poder” económicas e tecnológicas, para se proteger num contexto global instável, afirmou no Parlamento Europeu Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, numa intervenção no final de janeiro.

O termo “soberania” é frequentemente usado em discursos, mas raramente traduzido em decisões concretas na academia. Investigação para a área da defesa é, sem dúvida, investigação para a soberania ao estimular com inovação a capacidade de um país decidir, proteger-se e agir sem depender estruturalmente de terceiros. Essa soberania começa muito antes da aquisição de sistemas militares. Passa pela capacidade de inovar, formar talento e dominar tecnologias críticas, desde a ciência fundamental até à capacidade de testar, validar e compreender sistemas complexos. Sem envolvimento académico e colaboração com a indústria, a defesa torna-se dependente de fornecedores externos, muitas vezes não europeus, resultando em sistemas fechados (black boxes), dependência tecnológica e incapacidade de auditar ou evoluir capacidades críticas.

O conhecimento e capacidade científica são instrumentos tanto de paz quanto de defesa. Ainda assim, existe desconforto na academia quando se fala de investigação para a defesa, como se trabalhar na área represente um desvio moral da ciência “pura”, e não uma das suas aplicações mais antigas, exigentes e estratégicas. O conhecimento não carrega uma orientação ética e a ciência pode ser usada para o bem ou para o mal e pode ser usada mal ou bem. A neutralidade científica é um mito perigoso porque abdicar da responsabilidade não elimina o uso. Quando a academia se afasta da investigação em........

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