Poesia, utilidade, educação
No actual estado de coisas (confuso, mecânico, servido pela razão cínica dos progressismos), será possível imaginar que ler poesia e saber comentar um poema fará parte de uma desejável competência de escrita e de leitura? Houve um tempo em que, em face da avançada nazi-fascista, certa poesia se proclamou defensora da humanidade. Condenava o psicologismo, o idealismo, o umbilicalismo. Mas Lorca ou Alberti eram fazedores de uma poesia em que o eu esplendia e nem por isso foram menos defensores da humanidade. Lorca é, de resto, um excelente exemplo. O poeta-dramático de A Casa de Bernarda Alba, assassinado pela horda fascista trazia com ele a graça de um verbo que, por ser exaltante de um eu singular, original, a todos animava. Ignácio Sánchez Mejias não ficou gravado a bronze como mero herói da lida e da virilidade. E o mesmo se diga dessa poesia que, sem inovar formalmente, deu aos leitores, em tempo português de ditadura, momentos de energia porque ao eu isolado se juntava o Orfeu rebelde que anunciava outra coisa ainda...
Mas sucede que a forma é conteúdo e apesar do alto valor de Lorca e do modelo de Torga, a poesia moderna acabou........
