A doce tristeza de ser português
Há coisas difíceis de explicar a um estrangeiro. Podemos mostrar monumentos, paisagens, gastronomia ou até ensinar a nossa língua. Mas há qualquer coisa na alma portuguesa que escapa sempre à tradução. Uma forma de estar, um olhar, um silêncio. Uma melancolia subtil que atravessa gerações e que, de alguma maneira, nos define enquanto povo.
Os portugueses são diferentes dos seus irmãos da Europa do Sul. Basta viajar um pouco para perceber isso. Somos menos expansivos do que os espanhóis, menos exuberantes do que os italianos, menos ruidosos do que muitos povos mediterrânicos. Há em nós uma contenção emocional quase permanente. Falamos mais baixo, gesticulamos menos e temos pouca tolerância ao barulho excessivo. Não gostamos do caos permanente, mesmo quando fingimos gostar.
Há uma entrevista extraordinária de Amália Rodrigues em que ela fala precisamente desta diferença entre portugueses e espanhóis. Explica que a mesma melodia, transformada em fado ou em flamenco, ganha sentidos completamente distintos. O fado puxa a música para baixo, torna-a mais triste, mais introspectiva. O flamenco, pelo contrário, eleva-a, torna-a mais explosiva e alegre. A certa altura, o entrevistador pergunta-lhe porque serão os portugueses mais tristes do que os espanhóis. E Amália responde com uma frase absolutamente genial: “Talvez........
