Kohl e Merkel piscaram à esquerda e a AfD agradeceu
Ouvir Friedrich Merz declarar-se “profundamente chocado” com o terramoto eleitoral da Saxónia-Anhalt é conversa fiada – para satisfazer algum eleitorado e aqueles que emprenham de ouvido com a voz da “autoridade”. Dizer que o eleitorado apenas não compreendeu a virtude das suas reformas e que o governo federal tem de “explicar melhor as suas medidas” é o refúgio habitual da cobardia tecnocrática em negação. Convenhamos: ninguém com um mínimo de lucidez histórica pode ter sido apanhado de surpresa com as eleições deste domingo. Os 43,8% da AfD e o esmagamento da CDU a 17% são o desfecho inevitável de 35 anos de capitulação ideológica da direita alemã, num caminho iniciado por Helmut Kohl.
Konrad Adenauer e Ludwig Erhard compreenderam, nos anos 50, que a liberdade e o rigor económico tinham de preceder a unidade territorial a qualquer custo (Freiheit vor Einheit). A recusa intransigente da armadilha escrita nas Notas de Estaline e a aposta sem concessões no ordoliberalismo – mercado aberto, estabilidade monetária e concorrência estrita – foram capazes de edificar o milagre económico da Alemanha Ocidental (evidentemente, com todo o apoio dos contribuintes dos Estados Unidos que contaram em........
