Cuba: época alta com baixa voltagem
A crise não é de agora. O declínio das condições de vida em Cuba não é novidade, apenas se tornou notícia quando começou a afetar também os turistas. Até então, a miséria generalizada da ilha era tratada como uma espécie de medalha de resistência de um povo heróico que valia a pena visitar. A verdade turística é outra: ao contrário de vários dos seus vizinhos e de destinos comparáveis, Cuba nunca recuperou os números turísticos do pré-covid. Bem pelo contrário. Em 2025, a ilha registou o pior desempenho turístico desde 2002: apenas 1,8 milhões de visitantes internacionais, menos 400 mil do que em 2024 e quase 3 milhões abaixo do pico de 2018.
Mas esta crise não é de agora. Assolada por furacões cada vez mais severos, por uma crise energética prolongada e com uma capacidade de reconstrução extremamente limitada, Cuba já não tem apenas Pontiacs de 1951 ou fachadas vintage a pedir manutenção. A degradação alastrou-se a tudo e a todos; o que antes era charme nostálgico transformou-se em obsolescência pura e à medida que os turistas mais informados e socialmente conscientes disseram adeus a Cuba, o regime recentrou-se em mercados........
