Quem nomeia, governa
Na manhã de 19 de junho, antes de o plenário votar a revisão da legislação laboral, o Chega pediu a suspensão dos trabalhos por trinta minutos. Quando os deputados regressaram, o partido juntou-se à esquerda e ao PS, e o pacote laboral do governo caiu na generalidade, com votos a favor apenas do PSD, do CDS e da Iniciativa Liberal.
Terminava assim um processo que se arrastava há quase onze meses, desde o anteprojeto "Trabalho XXI" apresentado no verão de 2025, com mais de cem alterações ao Código do Trabalho.Escreve-se que a reforma foi chumbada no Parlamento. É verdade, mas é uma verdade tardia. A reforma foi-se perdendo muito antes, no único território onde estas batalhas se ganham e se perdem hoje: o da comunicação.
Repare-se no essencial. O governo nunca chamou ao seu diploma uma "contrarreforma". Chamou-lhe modernização, competitividade, melhores salários, conciliação entre a vida profissional e a familiar. Garantiu, vezes sem conta, que reforçava direitos e que não retirava nenhum. Do outro lado, sindicatos e oposição nunca lhe chamaram modernização. Chamaram-lhe precariedade, retrocesso, um ataque à dignidade do........
