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Crise da Gronelândia em pausa. Aguardam-se novos capítulos

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30.01.2026

A importância estratégica da Ilha da Gronelândia para os EUA pode-se resumir, salvo melhor opinião, em quatro áreas principais. A primeira é a questão fulcral da Defesa e Segurança Nacional. A localização geográfica da Gronelândia manifesta-se como ideal para a colocação e operacionalização de um sistema de alerta rápido de mísseis, permitindo melhor monitorizar a região do Ártico e o norte da Rússia, reforçando a segurança da Aliança e em particular de toda a América do Norte. A rota do Ártico é a mais direta para atingir o território dos EUA com mísseis balísticos intercontinentais (ICBM).

Em segundo lugar temos as riquezas minerais que as prospeções geológicas dão como existentes nesta Ilha gélida e de dimensões gigantescas – trata-se da maior ilha do mundo, com cerca de 2 milhões de quilómetros quadrados – proporcionando potencialmente o controlo da exploração e comercialização de amplos recursos minerais. O degelo acelerado tem vindo a transformar este espaço inóspito numa região privilegiada na extração de terras raras, minerais indispensáveis para o fabrico de altas tecnologias, componentes militares e baterias, reduzindo assim a dependência norte americana da China.

Em terceiro lugar, as questões geopolíticas e o poder no Ártico: a presença militar norte americana na ilha data de 1941 – ano em que a Dinamarca já estava ocupada pela Alemanha nazi – foi vista como uma forma de exercer uma real influência na região mais ampla do Ártico, onde a Rússia e a China estão a crescer em influência. E por último a questão central das novas rotas comerciais que em consequência direta do aquecimento global se estão a tornar cada vez mais viáveis. As rotas marítimas do Ártico, muito mais curtas que as rotas convencionais, outrora impensáveis, reforçam em muito o valor económico e geoestratégico da ilha como um "ponto de ligação" entre a América do Norte e a Europa rumo à Ásia.

Quanto à necessidade do controlo da Gronelândia e suas justificações, a completa ausência de coerência do presidente norte americano chega a ser chocante. Trump volta a surpreender-nos ao afirmar na sua rede social que afinal nem a Rússia, nem mesmo a China constituem as verdadeiras ameaças aos EUA – mas sim os seus inimigos internos, a ONU, a NATO e a religião islâmica. Se tal opinião se mantiver, cai por terra toda a sua argumentação que tem vindo a servir de base à necessidade urgente e absoluta dos EUA tomarem posse da Gronelândia. O que aconteceu com os temidos “riscos” da Rússia e da China que........

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