Afinal, para que serve o AMALIA?
Houve festa no Técnico Innovation Center. O governo apresentou o AMALIA como o primeiro grande modelo de linguagem "feito em Portugal, para o português de Portugal": cinco universidades envolvidas, mais de sessenta investigadores, dezoito meses de trabalho, supercomputadores de topo colocados ao serviço do projeto. Nada disto é para desvalorizar, pois trata-se de trabalho científico sério e que merece ser reconhecido como tal. O problema não está no esforço de quem construiu o modelo. Está na forma como ele foi vendido aos portugueses, e sobretudo numa pergunta que ninguém, no meio dos discursos de circunstância, quis colocar com honestidade: afinal, para que serve o AMALIA?
Comecemos pelos números, porque são eles que devolvem a conversa à realidade. O investimento inicial foi de 5,5 milhões de euros, financiados pelo PRR, ou seja, dinheiro público europeu, que não é gratuito nem infinito e que tem de justificar-se por resultados, não por boas intenções. Ora os resultados, sejamos claros, são modestos. O modelo arranca com 9 mil milhões de parâmetros, uma........
