Venezuela e o novo neocolonialismo energético
Nos primeiros dias deste ano, a Venezuela voltou a ocupar o centro do tabuleiro geopolítico internacional — não apenas como um país submetido a uma prolongada crise interna, mas como território-chave de uma estratégia norte-americana que articula poder militar, tutela econômica e projeção global de influência. Após a operação conduzida pelos Estados Unidos, apresentada por Washington como decisiva para a remoção de Nicolás Maduro, a administração do presidente Donald Trump tornou público um plano que ultrapassa amplamente o discurso da “estabilização democrática” e adentra o terreno explícito da reorganização forçada de uma economia soberana.
O desenho estratégico se sustenta em três pilares centrais: a apropriação de uma parcela substancial da produção petrolífera venezuelana, a gestão direta de sua inserção nos mercados internacionais e a vinculação rigorosa das receitas obtidas à compra exclusiva de bens e serviços de origem norte-americana. Em conjunto, essas medidas configuram o que um número crescente de analistas internacionais identifica como uma forma contemporânea de neocolonialismo energético — uma prática que, embora adaptada aos instrumentos do século XXI, reproduz lógicas históricas de subordinação econômica, dependência estrutural e esvaziamento efetivo da soberania dos Estados detentores de recursos estratégicos.
De acordo com declarações oficiais da Casa Branca, o plano prevê a transferência de dezenas de milhões de barris de petróleo venezuelano para portos dos Estados Unidos, onde seriam comercializados sob supervisão direta das autoridades federais. As receitas dessas vendas não retornariam livremente a Caracas. Ficariam condicionadas à aquisição de produtos “exclusivamente americanos”, incluindo bens agrícolas, medicamentos, máquinas industriais e equipamentos destinados à reconstrução de infraestruturas consideradas críticas.
Donald Trump descreveu esse modelo como uma parceria “inteligente” e “mutuamente vantajosa”, ressaltando que os Estados Unidos passariam a ocupar o posto de principal........
