O Belo e o Bélico
Escrevo este artigo ao som da banda sonora do filme A Missão. Faço-o para me recolher na beleza desta música, que me transporta para a história, para a missão, para a vida entregue daqueles missionários, para as razões e interpretações que deram aos desafios e realidades com que se depararam.
Transporta-me também para a abertura dos índios, que se apresentaram com coração de crianças, curiosos, abertos e puros, mas igualmente para o lado bélico que resulta numa interpretação desvirtuada do belo. Por tudo isto, este é um dos filmes que mais me marca, por tudo o que encerra dentro de si mesmo
Surge também o papel multipolar da Igreja, que provoca uma certa ambivalência: por um lado, a Igreja missionária que “serve em serviço”, com homens que entregam a sua vida de forma abnegada pela missão, atentos às necessidades das populações e à oportunidade da evangelização, procurando partilhar, com a sua própria vida, aquilo que de mais importante tinham. Por outro lado, a Igreja instituição, “distante e que ordena”, com as suas limitações,........
