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Quem cuida de quem quando todos estamos deslocados?

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20.09.2026

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Dia desses fui surpreendida pelo filho catalão do meu companheiro de casa no momento em que eu estava com um fardo de OITO latinhas de Coca-Cola Zero nas mãos, em um mercado. Logo ele, cujos pais não deixavam nem refrigerante entrar em casa. Flagrada por aquela criança de cinco anos, me senti uma bandida num assalto a banco. Mas antes que ele me dissesse “mãos ao alto, você está presa!”, disse-lhe: olha, isso não é bom! Não faz bem! E eu só estou tomando isso porque preciso escrever! Quando eu não estou escrevendo, eu não tomo!

Na ocasião, estávamos voltando do parquinho em um domingo de sol e, no caminho, passei no mercado antes de voltarmos para casa. Pedi-lhes que me esperassem à porta porque já sabia o que estava a ponto de comprar. Eu precisava concluir os últimos ajustes de um livro e, sem isso, o meu processo não caminharia no mesmo ritmo. Da última vez que parei de fumar, a Coca-Cola veio a reboque para cumprir o papel que o cigarro ocupava nos momentos de ansiedade e hiperfoco. Certa vez, Clarice Lispector escreveu uma carta à sua irmã e disse-lhe: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso, nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”. Além das madrugadas de atividade mental intensa, a........

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