A liberdade requer atenção
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Para qualquer pessoa a quem perguntarmos se se sente uma pessoa livre, a resposta virá por meio de duas sensações: algumas afirmarão positivamente, na crença de viverem satisfatoriamente suas liberdades políticas, de manifestação, de progressão econômica e de participação social, mesmo com todos os problemas e limites das democracias atuais; outras, dirão, categoricamente, não possuir liberdade, dado o contexto com profunda disputa ideológica, manipulação algorítmica, desinformação proposital, violência incessante, crescimento do fascismo, falência dos acordos e instituições internacionais, medo e os múltiplos colapsos que assolam o planeta.
Pensar a liberdade exige que reconheçamos não ser ela traduzível por um conceito. Ela é múltipla nas dimensões que interpelam tantas dinâmicas quanto as possíveis de serem elaboradas pela maneira como passamos a viver. A liberdade, portanto, acaba por ser um paradoxo entre o mito e a utopia; ou seja, algo que reside na idealização daquilo que se imagina ser possível de existir em plenitude e riscos.
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Historicamente, o conceito de liberdade não se restringe a uma única perspectiva. Já tivemos momentos em que ser livre significava não ser escravizado; era o que bastava para a diferenciação. Aos livres, era permitido atuar na organização política da sociedade, ainda que o coletivo se impusesse à privacidade e a ideia de direitos individuais estivesse longe de existir.
Mais adiante, com as formulações de alma, pecado, bem e mal, a liberdade foi dividida. Parte dela passou a se manifestar pela forma de livre-arbítrio, conforme lidamos e aceitamos as leis divinas, enquanto o coletivo era livre a partir das permissões reais, dos títulos de nobreza, dos poderes dados a certos vilarejos e cidades.
Apenas com o Iluminismo e as revoluções liberais, a liberdade passou a ser compreendida como um direito natural e individual. Nesse momento, surgem as ideias de liberdades civis, liberdade de crença, de imprensa e a de constituir propriedades privadas, por........
