“Jesus palestino”, ou a História na fast food da imprecisão e da manipulação
Muito se pode escrever sobre as bases daquilo a que chamamos Mundo Ocidental, começando pela formulação da ideia de Estado, passando pela Cultura, terminando no Pensamento Científico. Em todos estes campos do “processo civilizacional”, roubando o título da famosa obra de Norbert Elias, encontramos a capacidade crítica, a dúvida sistemática como ponto de partida na construção do conhecimento.
Foi esse ceticismo metodológico que nos permitiu todos os saltos, políticos, sociais e científicos, que nos levaram ao bem-estar que construímos e que hoje chegou, em várias formas e intensidades, a muitas mais pessoas por todo o planeta. A gigantesca revolução na mortalidade infantil e na esperança média de vida é apenas um dos muitos campos onde a dúvida sistemática permitiu o que nunca antes tinha acontecido.
Continuamos a fazer muita e boa ciência, mas perdemos o campeonato da popularização deste modelo de pensamento. Consumidores de fast food mediático, hoje tornámos normal a informação menos correta ou mesmo falsa, criámos mecânicas de sociabilização com base no imediato e no intenso, esquecendo o conteúdo como centro que deveria ser valorizado e, acima de tudo, verificado. Uma opinião recolhida numa qualquer frase numa rede social tem tanto valor quanto uma informação ou um facto de uma plataforma credível que........
