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As pessoas trans são um “não-assunto” com muita audiência

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05.05.2026

Sete pessoas sentaram-se num estúdio da RTP para debater se eu existo.

Não usaram essas palavras, claro. Usaram "identidade de género e transexualidade", que é a forma elegante de perguntar: estas pessoas merecem direitos? E vamos discutir isso sem que a maioria delas esteja na sala.

Uma mulher trans estava presente. Uma. Maria João Vaz, actriz, que mais uma vez carregou sozinha o peso de explicar a sua humanidade a uma mesa onde metade das pessoas ainda discute se essa humanidade é real. A Maria João é um coração generoso. Mas não pode ser sempre ela a fazer esse trabalho. Não pode ser sempre uma mulher a traduzir a dor de todas as outras para uma audiência que muda de canal quando o assunto aperta.

No mesmo dia, na Assembleia da República, a direita travou audições e acesso a documentos sobre a lei da identidade de género. O PSD disse que era um "não-assunto". Um não-assunto que afecta 3300 pessoas que mudaram de nome e género entre 2018 e 2025. Um não-assunto que justificou três projectos de lei para nos revogar. Um não-assunto que enche estúdios em horário nobre. Somos um não-assunto com muita audiência.

Havia um padre no painel. Jesuíta. Moderno. Estudioso. Provavelmente sabe de antropologia. Provavelmente conhece a história do nosso apagamento. Parece um homem bom. Não duvido das suas intenções. Mas ele representa uma instituição que durante séculos nos........

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