Terapias de conversão da identidade e orientação fascista
Wilhelm Reich diagnosticou o fascismo, em Psicologia de Massas do Fascismo (1933), como uma patologia coletiva em que, para resumir, o controlo dos corpos alheios constitui uma forma de alívio para a ansiedade gerada pela sua própria repressão sexual. A energia do desejo sexual assim reprimida é, em suma, canalizada para prejudicar a vida de outrem, de quem quer e tem o direito de ser livre. Pensei em Reich quando soube dos 17 mil empata-vidas que assinaram a vergonhosa petição a defender a descriminalização da tortura e da negação de vida que são as chamadas terapias de conversão de pessoas LGBTQIA . Sentiram-se, provavelmente, autorizados pelo ambiente LGBTfóbico criado pelo Chega, e pelos votos do PSD e do CDS, que já tinham aprovado restrições à autodeterminação de género. Dezassete mil empata-vidas que, esses sim, necessitariam de uma terapia de conversão que os fizesse, se seguirmos as teorias de Reich, deixar de reprimir os seus próprios desejos. E, se seguirmos a minha teoria, meterem-se na sua própria vida.........
