Harald V: um rei de todos
Há discursos políticos que envelhecem em poucos meses. E há algumas frases que, quase sem darmos por isso, acabam por definir um país.
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Em Setembro de 2016, durante uma festa nos jardins do Palácio Real, em Oslo, o rei Harald V fez uma pergunta aparentemente simples: o que é a Noruega?
Começou pelas montanhas, pelos fiordes, pelas ilhas, pelo mar, pelo sol da meia-noite e pelos Invernos escuros. A descrição previsível de um país que gosta muito da sua natureza.
Depois mudou de escala. A Noruega, disse ele, é sobretudo as pessoas.
Noruegueses são os que nasceram no Norte, no Sul ou no centro do país. Mas são também os que vieram do Afeganistão, do Paquistão, da Polónia, da Somália, da Síria ou da Suécia. São ricos e pobres, jovens e velhos, pessoas em cadeiras de rodas e atletas. São mulheres que amam mulheres, homens que amam homens, homens e mulheres que se amam. Acreditam em Deus, em Alá, no Universo ou em nada.
E depois disse aquilo que ficou: “A Noruega são vocês. A Noruega somos nós.”
Para quem nasceu aqui talvez seja difícil compreender inteiramente a força destas palavras. Para quem veio de fora, não é.
Porque emigrar é viver durante muito tempo dentro de uma pequena ambiguidade. Podemos aprender a língua, trabalhar, pagar impostos, ter filhos, fazer amigos e começar a chamar “casa” a um lugar onde não nascemos. E, no entanto, permanece........
