A música não é um luxo: a urgência de democratizar o acesso aos discos
Vivemos na era da imaterialidade e do acesso instantâneo. Com um simples toque num ecrã, temos ao nosso dispor milhões de canções, algoritmos que antecipam os nossos gostos e listas de reprodução infinitas que nos acompanham no trânsito, no trabalho ou no ginásio. A música nunca esteve tão acessível no plano digital e essa democratização do streaming é, incontestavelmente, um avanço extraordinário. A par disso, há uma maior consciência do real papel da música no formato digital, onde é imbatível — a portabilidade.
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No entanto, à medida que a música se tornou omnipresente e fluida, assistimos a um fenómeno revelador: uma nova geração de jovens está a reencontrar o fascínio pelo formato físico. O regresso do vinil, a redescoberta do CD e até a curiosidade pelo formato cassete não nascem de um mero saudosismo de quem não viveu essas décadas. Nascem da procura de algo que o digital, por definição, não consegue oferecer: pertença e permanência.
A música que se ouve passa, a música que se tem fica. Ouvir um disco físico é um ato de atenção plena num mundo marcado pela........
