Sinais (de fumo) na cultura portuense
Vamos no quinto mês deste novo executivo e as políticas começam a fazer sentido. Pelo menos na continuidade das políticas subtis que querem controlar tudo o que se passa na cidade, em particular a produção artística e cultural, o alfa e ómega das relações públicas de qualquer presidente da câmara moderno e cosmopolita.
Os mais cépticos – onde eu me incluo – dificilmente acreditam na boa vontade da direita liberal no que toca à cultura. Nos últimos anos temos assistido a uma mercantilização sem paralelo das práticas artísticas, da cultura e do trabalho dos profissionais. Os crescentes investimentos em determinadas áreas culturais são suportados apenas pela retórica de mercado e da valorização dos territórios, pela utilidade da arte e pelo aproveitamento simbólico-mediático dos fenómenos artísticos de maior sucesso.
O setor pode estar descontente, mas será sempre eficaz a responder às encomendas e vai aceitando em silêncio as regras do jogo (os concursos, a competição injusta, os critérios de seleção quantificáveis, os relatórios, as curadorias e tutelas........
