No caminho do sol a Lisboa
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Em 2020, no ápice da pandemia de Covid-19, eu morava no Brasil e me encontrava tão vulnerável quanto qualquer outra pessoa que, durante aquele período, tenha ficado sem casa ou sem emprego. Eu fiquei sem os dois. Fui apenas uma daquelas muitas pessoas que, sem trabalho e sem dinheiro para pagar o aluguel, se viram em apuros. E a contradição é que, mesmo sem ter um teto para chamar de meu, fiquei engaiolado dentro de uma casa — não a minha, mas a de um colega que me acolheu.
Nestes momentos em que o sofrimento é hiper-real (quando não é possível desviar dele completamente nem por um minuto), acabamos por nos agarrar a qualquer coisa que se pareça com uma boia de salvamento num mar agitado ou com um paraquedas descolado do corpo quando se está em plena queda livre.
Foi em um desses dias de isolamento e desespero, em que a sensação de perda total de presente e futuro pesava sobre os ombros, que fiz, por insistência de uma amiga, uma consulta gratuita por videochamada com a mãe dela, uma senhora cartomante. Era uma senhora........
