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Chega de acampar na autoridade do Estado

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O Rossio já não é uma manifestação. É uma ocupação com palco, assembleia e calendário de greves.

Quem lá está tem causa? Alguns, sim. Mas quem organiza tem programa, e o programa nunca foi a renda. Gritou-se “Palestina vencerá”, pede-se uma greve ibérica a 11 de novembro, fala-se de derrubar o capital. A habitação é a farda emprestada de um movimento que já tinha tudo decidido antes de a crise existir. A esquerda radical não descobriu a dor dos jovens, descobriu uma oportunidade.

E a oportunidade vê-se nos símbolos que escolhe. No Rossio ergueu-se o nome de Maricarmen, a mulher de 87 anos despejada em Espanha que acendeu o protesto em Madrid. O caso dela é real e merece respeito, mas é de outro país, de outra lei e de outro tribunal. Trazê-lo para uma praça portuguesa como se fosse bandeira nacional........

© Observador