Seriedade e Liderança
Apesar de ainda faltarem alguns dias até sermos chamados às urnas, esta é a última crónica que escrevo em tempo eleitoral. Aproveito, assim, para fazer um balanço do que está verdadeiramente em causa e, no meu caso, explicar as razões que me levaram a apoiar Henrique Gouveia e Melo.
No seu discurso de abertura da campanha, mais cedo do que é habitual, Luís Montenegro apelou ao chamado “voto útil”: “não podemos brincar”, disse, para depois desenvolver a ideia de que a escolha de Marques Mendes será a que melhor serve um cenário de estabilidade governativa. Logo de seguida, devidamente amparado entre Rui Moreira e Luís Montenegro, talvez para não cair, Marques Mendes procurou sublinhar a sua “independência”, não fôssemos nós concluir que o apelo do primeiro-ministro visava colocar o candidato presidencial no bolso do chefe do Governo, em nome da estabilidade.
O que Luís Montenegro não esclareceu foi a quem, afinal, serve o voto útil. É legítimo supor que será, sobretudo, útil ao primeiro-ministro. Já quanto à maioria dos portugueses, essa utilidade está longe de ser evidente.
A Presidência da República é o único órgão de soberania que, por opção constitucional, permite que cidadãos não integrados em estruturas partidárias concorram a eleições. Ora, Portugal precisa, neste momento da sua vida democrática, de mais sociedade civil na política e de menos lógica partidária. Para termos mais Democracia, precisamos de menos Partidocracia. Portugal necessita – e a Presidência da........
