menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O Reconhecimento e a Pátria 

5 1
04.01.2026

Num tempo em que o homem parece dissolver-se entre abstracções globais e realidades artificiais, torna-se urgente recuperar o sentido concreto do humano — o seu enraizamento em comunidades vivas, tradições históricas e vínculos morais que o sustentam.

O presente ensaio reflecte sobre o reconhecimento como fundamento da identidade individual e colectiva, articulando-o numa perspectiva pós-liberal e conservadora que integra liberdade, pertença e transcendência. Inspirado por uma visão realista da natureza humana e por uma antropologia cristã, o texto procura demonstrar que sem reconhecimento mútuo, ordenado à comunidade e à pátria, não há sociedade verdadeiramente humana nem liberdade substancial.

Somos indivíduos com características concretas e, para nos sentirmos plenamente humanos, precisamos de reconhecimento — não um reconhecimento abstracto, formal ou distante, mas aquele que nos confirma enquanto seres singulares, dotados de dignidade intrínseca e enraizados numa ordem moral que nos antecede. Não queremos ser reduzidos a folhas de cálculo, a dados estatísticos ou abstracções que nos desumanizam. Quando Bruxelas nos trata como “cidadãos europeus” — categoria administrativa sem rosto nem história —, quando reduz Portugal a “região ultra-periférica” ou pescadores a “operadores económicos no sector das pescas”, está precisamente a negar esse reconhecimento concreto que nos define enquanto pessoas e comunidade.

Esse reconhecimento não é apenas desejável: é uma condição estrutural da vida social e moral. Sem ele, somos constrangidos não apenas por forças externas, mas também na nossa própria percepção; tornamo-nos vulneráveis à alienação e à fragmentação da identidade. A consciência de si nasce no contexto do reconhecimento, e é nele que a liberdade encontra sentido — não como conceito vazio, mas como experiência........

© Observador