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A Grande Maçã Proletária

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15.11.2025

A cidade de Nova Iorque, esse bastião simbólico do Capitalismo e do Ocidente, tem um Presidente da Câmara comunista e anti-ocidental. Em relação ao Capitalismo, já o referi várias vezes, é simplesmente uma palavra empregue por Marx para tentar pôr em pé de igualdade a realidade que observava e a utopia que idealizava. Nova Iorque, sendo uma das, senão a, cidade mais rica do mundo encaixa à perfeição no papel de Besta do Capitalismo. Os ataques às Torres Gémeas em 2001 também demonstraram inequivocamente que a cidade tem um lugar preferente na mitologia anti-ocidental. Assim, não deixa de ser irónico que Nova Iorque tenha, desde o passado dia 4 de Novembro, um Mayor eleito que abomina tanto o Capitalismo como o Ocidente.

Aparentemente Nova Iorque não quer ser o que é. O facto é, em si, insólito, mas não surpreendente. Citando o árbitro Vítor Correia, desde que vi um porco a andar de bicicleta já nada me surpreende. A eleição de um candidato com estas ideias oriundo do Partido Democrático, numa cidade que vota massivamente nesse partido não é exactamente uma surpresa. O mesmo se poderia dizer da pressa nas secções internacionais da imprensa ocidental em apresentar Mamdani (assim se chama o senhor) como mais uma derrota eleitoral de Trump. Também não surpreende ninguém que a esquerda radical, a esquerda institucional e a direita boçal um pouco por todo lado se venham auto-congratular pelo resultado eleitoral. O que talvez surpreenda um pouco é o facto de os eleitores democratas da Cidade de Nova Iorque, que são quase todos, terem ido colocar o seu voto de forma maioritária (ainda que não consensual) num senhor que basicamente advoga pela abolição da sua forma de vida.

Só para o registo, achar que a eleição de Mamdani é uma derrota de Trump só se pode explicar por uma reacção pavloviana que a figura do Homem Laranja provoca em grande parte da imprensa e classe política. Na eleição presidencial de há dois anos Trump obteve cerca de 300 mil votos contra os quase dois milhões de Kamala Harris. Nesta eleição municipal, em que houve mais do triplo de gente a votar só nas primárias do Partido Democrático que em Trump, metade dos eleitores republicanos ficou em casa. Votar era um exercício fútil já que a vitória ia ser com toda a certeza de um democrata. Com uma campanha polarizada e motivada, e dois milhões de votos cativos (os dois candidatos democratas obtiveram entre eles sensivelmente o mesmo número de votos que Kamala Harris nas presidenciais) a dúvida estava em se o eleito ia ser o candidato oficial do partido ou o derrotado nas primárias, que apresentou posteriormente uma candidatura independente. Este último, Andrew Cuomo, foi uma das muitas figuras que Trump culpou pela sua derrota em 2020. A tal derrota de Trump é, afinal, a queda de um dos seus........

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